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"Desde os tempos da sua fundação, a Portela sempre foi uma grande família. Como tal, às vezes surgem desentendimentos entre seus pares, mas o verdadeiro portelense supera qualquer desavença quando estão em jogo o nome e o prestígio da agremiação."

                                                               (João Baptista M. Vargens e Carlos Monte)

 

Saber e sabor. Lembramos a relação feita pelo pensador francês Roland Barthes, em Aula, a respeito do prazer de ler, quando traz à luz a mesma raiz entre essas palavras e, conseqüentemente, entre os seus significados. É, também, o que podemos fazer quando pensamos na importância das reuniões dos sambistas em torno do preparo dos pratos e do prazer de saborear as iguarias feitas pelas baianas e pelos mestres da arte de cantar e de cozinhar.

 

Todos sabemos que comer, longe de ser um simples ato de satisfazer uma necessidade básica, é comunhão. Em torno da mesa, comunga-se o prazer da companhia e faz-se o despertar dos sentidos. Celebra-se a vida, no que ela tem de melhor, e se canta o fruto do trabalho. 

 

Todos sabemos que as escolas de samba foram criadas em reuniões festivas, quer tenham sido profanas, quer sagradas. E muitas associações são feitas, regadas a petiscos de botequim, cerveja, cachaça, almoços, jantares. A comida engendra a criação.

 

Desde os tempos de Tia Ciata, em cujo quintal muito se consumiu em comida e arte, e, sobretudo, nos terreiros de samba, umbanda e candomblé, a comida é oferenda aos orixás, aos pais e filhos de santos, aos partideiros, aos convidados.

 

Martinho e sua grande Vila Isabel já nos serviram a iguaria que foi o grande desfile de 1988, quando mostrou que a Kizomba equaliza as diferenças. É em torno da mesa que se faz a reunião e a resistência.

 

Foi, especialmente, com o fim do regime escravagista que a comida assumiu grande fator de reunião e resistência. Libertos, sem lugar para morar, sem qualificação para o trabalho, como poderiam os negros sobreviver? Restavam os pequenos ofícios e o trabalho ambulante. Em Tia Ciata e a pequena África no Rio de Janeiro, Roberto M. Moura destaca Gilberto Freyre, ao referir-se sobre a Bahia como grande centro de alimentação afro-brasileira, com o desenvolvimento da doceria de rua. Foi com as negras forras, com seus quitutes de tabuleiro, que começou a se formar uma nova família negra, em torno da qual são criados os filhos, muitas vezes, de pais diferentes. Possuidoras de forte domínio sobre os segredos dos pratos religiosos e das recriações profanas da realidade brasileira, empregar-se como cozinheiras na casas mais abastadas ou vender nas ruas as delícias preparadas em casa foram o caminho natural para manter unida e sobrevivente a família.

 

Talvez seja por isso que a comida no meio do samba tenha tanta importância, quando preparar e comer assumem contornos ritualísticos, quase sagrados, quando são reverenciados os mais antigos, batizados os mais novos e invocados os ausentes e as divindades - o que, para os sambistas, é quase a mesma coisa.

 

A despeito do crescimento das escolas de samba, cujas comunidades são mais elásticas, ultrapassando os simples limites geográficos e se tornando mais sentimentais, em muitas delas ainda são fortes os laços familiares, seja por co-sangüinidade, por consideração ou por afinidade, atualizando os laços de reunião e resistência.

 

Mesmo com as transformações por que passou o subúrbio de Madureira, tornando-se grande centro de comércio popular no século XX, em suas ruas mais residenciais e em suas adjacências - como Osvaldo Cruz, Turiaçu, Rocha Miranda, Bento Ribeiro, Vaz Lobo e nos morros (Serrinha, Congonha, São José), ainda se mantêm vivos os laços a que nos referimos.

 

Se foi nos terreiros e festas de Dona Ester, de Seu Napoleão, de Seu Vieira que foram lançadas as sementes da Portela, também foi nos quintais de Manacéa, Dona Neném, Doca, Argemiro, Surica e na cozinha de Tia Vicentina que essas sementes deram frutos e mantêm fortes as suas raízes.

 

Autor: Rogério Rodrigues.

 

 


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