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6ª parte: O cidadão Paulo

 

 

Ao longo de sua vida, Paulo recebeu o merecido reconhecimento por seu trabalho pela cultura brasileira. A Portela ajudava a difundir a imagem de Paulo, mas, da mesma forma, grande parte da notoriedade que a Portela adquirira ainda na década de 30 deveu-se à constante presença de Paulo nas rádios e nos jornais e à sua popularidade, que, a partir da metade da década de 30, não conheceu fronteiras.

 

Em 1935, o jornal "A Nação" lançou um concurso que visava a eleger, através do voto popular, o maior compositor das escolas de samba do Rio de Janeiro. Ao comprar o jornal, o leitor ganhava um cupom, que deveria ser preenchido e enviado para a redação do periódico.

 

Paulo seria o "candidato" de Oswaldo Cruz, que se uniria para enfrentar os compositores indicados por outros grandes redutos de samba, como Mangueira, Estácio e Salgueiro. Cada resultado parcial era cercado por grande ansiedade. Graças ao decisivo apoio de Sérgio Hermógenes, comerciante do bairro que foi uma espécie de "primeiro patrono" da Portela, Paulo sagrou-se campeão, deixando Armando Marçal com a segunda colocação.

 

Caetano, que havia se endividado para a eleição de Paulo, esperava contar com o dinheiro do prêmio para restituir a grande quantia financeira obtida junto a Sérgio Hermógenes. Paulo, politicamente, usou o prêmio esperado por Caetano e comprou presentes para as principais figuras participantes do evento. Paulo acreditava que tal atitude seria um investimento a longo prazo. Estava investindo em sua imagem, esperando colher frutos futuros. A dívida seria quitada quando o retorno de sua gentil atitude mostrasse os primeiros resultados. Caetano, com a palavra empenhada junto a Sérgio Hermógenes, não aceitou as argumentações do amigo. Rompeu relações com Paulo, se afastou da Portela e pagou a dívida por conta própria.

 

Paulo sabia o que estava fazendo. Seguindo o raciocínio de Marília Barboza e Lígia Santos, Paulo foi o "traço de união entre duas culturas". Aproximando-se das pessoas influentes do Centro da cidade e presenteando-as, passaria a ter entrada num meio onde seria possível adquirir a fama, levando para o mundo dos ricos a cultura dos pobres e suburbanos, o samba humilde dos morros cariocas.

 

No ano seguinte, o Cordão das Laranjas, com o apoio do jornal "Diário da Noite", elegeu Paulo como cidadão-momo. Uma multidão acompanhou a posse de Paulo, em 21 de fevereiro de 1936. A cada ano que passava Paulo tornara-se mais importante, mais famoso. Em 1937, é eleito "Cidadão-Samba", alheio às disputas entre os jornais "A Pátria" e "A Rua" pela organização do concurso. A escolha de Paulo foi a única unanimidade entre os dois órgãos de imprensa.

 

Na virada de 1937 para 1938, Paulo viajou para o Uruguai em companhia de um grupo de sambistas. Era a primeira vez que o samba do morro atravessava as fronteiras do país. Participou, juntamente com o antigo amigo Heitor dos Prazeres e Cartola, do conjunto Cariocas, levando o samba para outras partes do Brasil. Estava obtendo sucesso em sua caminhada.

 

Paulo já estava acostumado a receber professores estrangeiros, ministros, pessoas importantes de uma maneira geral. Sua imagem já impunha respeito. Tornara-se uma das figuras mais famosas do Rio de Janeiro nas décadas de 30 e 40. Mesmo após seu desentendimento com a Portela, recebeu, como bom anfitrião, o empresário americano Walt Disney, acompanhado de seu desenhista, em Oswaldo Cruz. De volta aos Estados Unidos, surgia nas pranchetas o personagem Zé Carioca, talvez inspirado na própria imagem de Paulo.

 

Em qualquer problema que envolvesse o samba, lá estava Paulo, nas rádios, usando sua voz e seu respeito, para defender a dignidade e a imagem do sambista. Todos queriam ouvir o que Paulo pensava, sempre desvinculando do sambista a imagem marginalizada.

 

E o objetivo foi alcançado. A cada ano que Paulo se apresentava na Praça XI, ele era o ponto alto do desfile da Portela. O público o reconhecia e o aplaudia calorosamente. Os jornais destacavam sua presença.

 

Paulo ficou famoso, embora a fama não lhe proporcionasse fortuna. Viveu e morreu pobre, em uma pequena casinha, na Rua Carolina Machado, próxima à estação de Oswaldo Cruz. Mas e daí? Sua mensagem foi difundida, o êxito havia sido alcançado. Paulo era reconhecido, não apenas como sambista, mas também como pessoa. Fazia sucesso não apenas nos morros e nos subúrbios, mas também entre os principais artistas do Rio e do Brasil. Figura fundamental na história cultura brasileira nas décadas de 30 e 40.

 

 


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